quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A onda é leve






É preciso partir o silêncio
Em mares de ignorância
Sem ao menos dizer adeus
Pra qual vida a onda te leva?

A vida balança a vela
E assim ela vale
Pelo menos a viagem
Ou o sonho que te lave








terça-feira, 29 de julho de 2014

terça-feira, 15 de julho de 2014

Memórias de Meus Amores Roubados II






De todas as vezes que sentei em frente à senhorita Camm, não pude deixar de perceber o quão curiosa era aquela combinação de características tão marcantes que fazem com que você seja atraído por uma pessoa logo na primeira conversa. Sim, eu não sou normalmente o tipo de cara que senta e gosta de conversar com as pessoas. Analiso todas as pessoas ao redor buscando nelas alguma que não seja a simples futilidade disfarçada de arrogância ou o cinismo sempre habitual da tristeza.Com esse tipo de pessoa a conversa flui de maneira tão natural que você sequer se lembra de como começou. Mas, sinceramente, tenho que admitir que eu ainda me lembro de uma frase que ficou gravada em minha memória e que fez com que eu retirasse o olhar do livro que lia para procurar de onde aquilo vinha.

"Amor é aquele sentimento que te faz não abandonar a tristeza"-Memória número 2

                    Meus olhos ansiavam pela voz que havia proferido a frase com tamanha convicção, deslizavam de um lado a outro, ao redor das mesas da cafeteria e pararam do lado de fora da rua, perto das mesas que desbocavam em um canto do beco escuro com escadarias de pedra e cadeiras de madeira pura, havendo assim, um contraste entre uma cafeteria moderna e o lado de fora antigo, quase como inacabado. Para a minha surpresa, assim que saí observo uma mulher falando sozinha em um canto mais afastado, de frente à uma cadeira vazia,como se estivesse conversando com mais alguém
                        -Com Licença, senhorita- me aproximei um tanto quanto curioso
                        -Pois, não?- disse em um tom surpreso e delicado
                        -Não pude deixar de ouvir a conversa de vocês e sua frase sobre a tristeza do amor...O que eu me pergunto é se haveria alguém nesse mundo que suportaria a tristeza e que ao seu ver buscaria ela?!-disse-lhe
                    -Justamente o meu ponto!-observou Mick- Acho que esse sujeito é sensato-e deu um leve sorriso
                   -Não-sorriu debochando para o lado e se virou contra o debatedor-eu não disse que buscamos alguma coisa ruim-retrucou enquanto ajeitava a armação de seus óculos
                        -O mundo em que vivemos é feito de comparações-afirmou com a mesma certeza de antes-Então, para que possamos dar valor ao amor, por exemplo, temos que perceber e comparar com as vezes que sentimos tristeza, que pensamos que nada iria dar certo, para então dar valor a esses momentos!
                       -Mas se tudo o que você afirmou é verdade, então o amor perfeito e integral não existe, pois tudo não passaria de momentos-afirmei
                        -Desculpe, senhor...-Qual é o seu nome, mesmo?-Brian-respondi com uma voz seca
                        -Então senhor Brian, mas não é isso que a vida é?-saiu com uma voz calma
                     -Não é pelo mesmo motivo que guardamos fotografias e as colocamos na mesa de estar?Para nos lembrar que éramos felizes?-ela parecia ter argumentos para tudo.
                        De imediato, puxei a cadeira da mesa vazia ao lado para me sentar perto. Notei de relance que algumas pessoas olharam com aquele olhar de julgamento, certamente pensando que a confraria de doidos somente aumentava, não me importei com isso, dentro de alguns minutos estávamos conversando: eu, ela e o Mick, seu amigo imaginário.
                        -Aqui está seu café, senhorita-aproximou-se com classe o garçom
                        -Obrigada, Ricchardo-deu um pequeno sorriso-Está como eu pedi?-pergunta
                        -Sim, senhora. Com bastante creme e um pouco de canela-disse se afastando
                        -Porque a canela?-perguntei, afinal como alguém gostava daquilo!?
                        -Para me lembrar que nada é tão legal assim. E também porque eu não gosto de canela.
                        Tentava entender aquilo, como uma pessoa bebe aquilo que não gosta?
                        -Tem a ver com o que falávamos sobre o amor-responde em seco
                        -O amor é um sentimento complexo, sabe?- disse com um olhar distante
                        -Amar é conviver com a tristeza-simplificou- Sempre aquela pessoa não vai corresponder a todos os seus desejos, não por querer é claro, porque amar é aceitar, é ser livre para conviver com os erros.
                        Olhei para os lados e a casa já estava quase fechando, afinal, as melhores conversas sempre tem um que de saudade e teimam em acabar rápido. Já quase chegava a madrugada. A senhorita Camm se despedia de seu antigo amigo e de mim. Aliás, devo admitir que tinha que fazer mais uma pergunta, aquilo que martelava em minha cabeça e tinha que sair, perguntas devem ser compartilhadas...
                       -E o amor, o dia em que soubermos de tudo sobre ele, a solidão não acabaria?-dei uma leve pausa, soando de maneira um pouco dramática.
                        Louise, já de costas para Brian, se apressa em tirar um objeto do seu bolso, um fino relógio de ouro. O ponteiro dos segundos saltita em cima do número 12, mas parece não querer sair de lá, e volta e vai, causando sempre a insistência de não parecer quebrado. É somente então que ela percebe uma fina chuva que lhe arrepia a pele e lhe causa um tremor repentino. No momento em que se vira, não há mais ninguém: a não ser ela, uma rua deserta, a chuva e um relógio quebrado. E olhando o ponteiro ela parece querer responder com certa angústia.
                       -Não. -e concordou com sua própria alma-A solidão e o amor nunca conseguem se separar.
CONTINUA...

domingo, 11 de maio de 2014

Hai Definition






Lá bem debaixo do mundo existe outra vida
Poesia, por exemplo, dorme em (si)lêncio
Por causa da vida que morre lá dentro

A chuva assoviava que sabia fiar
Enquanto a velha remendava um pano velho
Os anos. A chuva. Imansidão!

Não sei contar os anos, não sei
Tudo é um sem-quanto de contos e festas
Com quantas velas se faz uma jangada?

O amor é um breve suspiro
Um encontro entre duas jornadas
O tudo é aqui e o agora não é nada!



sábado, 3 de maio de 2014

Entre o chão e o céu





O tempo marca as palavras que não morrem
A vida tem desses vícios!
O amor que nunca se acaba na margem de um verso
O amanhã que sempre vai sem se chegar
Caminho entre a arrogância do chão e do céu
E não existem distâncias,
Entre um tempo que nunca houve
E uma saudade que sempre se cala
Tudo é somente um intervalo que se quer medir
No pontual incontável de nossa existência
A vida é marcada pelo tempo que se quer chegar
Faltam  poucos minutos para eu ser feliz
A loucura é a música da minha alma
Um lugar em que eu posso falar pra mim
Que as coisas são iguais em diferentes tons





terça-feira, 22 de abril de 2014

Memórias de Meus Amores Roubados

                   



                                                                                                                                                     

Sou daqueles que acreditam no amor. Sim, acreditar não é apenas falar incessantemente dele e apregoá-lo como se fosse a salvação de tudo que respira e possuí vida. Alias, não acredito que a vida de alguém seja de propriedade de outro ser, porque se assim fosse não estaríamos falando de amor, mas de obsessão, que nada mais é que sentimentos disfarçados em diferentes emoções. Cada qual enxerga apenas a fantasia que almeja, aquilo que espera que aquela pessoa realize para satisfação de seu próprio ego. Sou capaz de ouvir ao longe a loucura de todos esses momentos, que vêm a tona sem serem convidados, em um instante em que gostaria de lembrar e fazer com que todos vocês que lerem isso também os conheçam.Saibam que a intenção é a melhor possível, contudo, não sei explicar com palavras o que aconteceu, mas tentarei fazê-lo e para tal peço a ajuda de vocês, e se possível, de suas memórias também.

"Amor é uma satisfação, sobretudo, pessoal"-Memória número 1
                      Ainda lembro daquela frase tão simples e genial enquanto levava tranquilamente o café à boca, tentando soar da maneira mais natural possível. Descia a xícara de maneira compassada, assim que minha mente trabalhava naquilo. Ouvi quase que instantaneamente os passos de um sapato fino, preto e pontiagudo que presumi ser o de Ricchardo a tabalhoar o chão de madeira da parte de fora do estabelecimento. Ricchardo trabalha na cafeteria há pelo menos duas décadas, seu andar extravagante e prestativo fizera ele ser considerado por muitos como um maitre sem igual. Ele certamente se orgulhava disso. Mas aproveitava para cobrar as gorjetas mais caras também
                      -Mais alguma coisa, senhor?
                      -Não, não, só isso está bom-respondi com educação
                      O educado garçom apenas saiu em tom de cortesia, enquanto eu procurava focar meu olhar em direção de Loiuse, a quem me fizera tão desconcertante afirmação
                       -O que te faz pensar assim?-perguntei
                       -Não sou "eu" que penso assim-enfatizou-É só você perceber que as pessoas ao procurarem o amor somente querem ter uma posse, seu corpo, sua mente, seu dinheiro, tudo o que você apresenta para as pessoas é uma representação de você!-concluiu
                       -Mas há algo de errado nessa afirmação-rebati- Se você admitir que tudo o que eu apresento é uma representação, então quer dizer que eu só tenho um comportamento, quando na verdade para cada relação social existe um padrão que é considerado moralmente aceito,ou seja, um comportamento.
                       -Sim, mas existe uma diferença entre comportamento e personalidade. Bem, vou lhe explicar-E ajeitou o óculos, fazia isso toda vez que ia rebater de maneira violenta uma argumentação-
O que acontece é que o comportamento é o que você exterioriza para os outros, personalidade é aquilo que você realmente é, os dois coexistem em você, mas isso não significa que você vai admitir o que realmente é.
                       -E se eu dissesse que te amo?- interrompi de supetão
                       -Amor é um comportamento e uma personalidade. Comportamento porque é ligado a substâncias químicas próprias e personalidade é um comportamento próprio, um jeito único de exteriorizar esse sentimento-continuou ela
                       -Mas é aí que você mesma se enforca!-admiti com um sorriso no rosto. Aquilo que eu sou condiz com aquilo que eu vou fazer, portanto no amor e em qualquer outra pessoa eu procuro algo que seja igual a mim e não diferente, não existe completude no amor-concluí
                       Loiuse já se preparava para rebater quando Ricchardo chegou de maneira apressada a lhe perguntar:
                       -A senhorita Camm quer alguma coisa?A mulher olhou para os lados enquanto observava surpresa ajeitando seu óculos de armação colorida que nas mesas ao redor não havia mais ninguém. As cadeiras velhas de madeira retalhada em fibra de eucalipto davam ao local um aspecto nostálgico. Entendera que era apenas uma pergunta rotineira para expulsar-lhes de lá, afinal o local já iria fechar. Mick aproveitava para checar seu relógio de bolso querendo ter certeza que a noite passara tão rápido.
                       -Sim, pode deixar na minha conta que depois eu me acerto com Don.
                       -Então...Virou-se para olhar Mick, mas ele já tinha ido embora.
                       -Ahhhh, ele foi embora sem se despedir,mas pode ter certeza que amanhã ele vai ver!-disse enfurecida enquanto se depedia cordialmente de Ricchardo.
                       -E então é ela a Loiuse de que todos falam?-perguntou um homem que se aproximava.
                       -Sim, ela vem aqui uma ou duas por semana falar com o Mick-responde
                       -Mas quem é Mike?-perguntou o outro
                       E olhou para a mulher cantarolando enquanto caminhava em direção à avenida.
                       -Bem....Ele não existe!- E se virou olhando para a cadeira vazia em que a mulher segundos antes havia se levantado.
CONTINUA...

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Deuses e Vermes










Ah! Desde a infância que tenho eu sobrepujado indagações:
-Para onde hão de ir as coisas? De onde casta o meu breve suspiro?
Silêncio. Não restou Deus inocente em sua inconsciência cósmica
Apenas um emaranhado de mentes e epopeias soltas, relutando por um vazio
Onde estarão os Deuses de que tanto me falaram?
Dormem eles em eternos momentos
Transfigurados sob a luz do sol
Cravados em frios monumentos
Suas verborragias se encontram em prol
Vermes certamente haverão de cobrir a minha face
Como o grito daqueles que não podem mais falar!
A Besta última do esquecimento
Profana túmulos, aprisiona passados
E materializa todos os meus anseios
Por justiça, por amor, por egoísmo
Ainda sobra uma verdade somente minha
É minha própria sombra!
É meu próprio Deus!
(Que a minha consciência dissolva a morte,
No silêncio do meu breve ninguém)